Fotografia em plano médio, focada em uma exposição museológica sobre a história das urnas eletrônicas no Brasil. No primeiro plano, à direita, três modelos diferentes de urnas eletrônicas estão dispostos sobre suportes de madeira.

Curadoria de acessibilidade: Democracia e Memória: 30 anos das urnas eletrônicas em Sergipe

Ficha

  • Cliente: Iluminar / Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE) / Centro de Memória Eleitoral (CEMEL)
  • Local: Memorial de Sergipe, Aracaju
  • Abertura: 18 de agosto de 2026
  • Realização: Iluminar — Instituto Lucas e Mariana Aribé de Acessibilidade para a Inclusão Social de Pessoas com Deficiência
  • Curadoria de acessibilidade: Fabiana Droppa e Lucas Aribé
  • Escopo: consultoria de acessibilidade, roteiro de audiodescrição, narração e estrutura de acesso por QR Code

O desafio

A exposição reúne três décadas da urna eletrônica em Sergipe, distribuídas em três núcleos e cerca de trinta peças, entre urnas de seis gerações, painéis históricos, documentos, uma urna de lona, uma urna de madeira, uma cédula-guia em braile e réplicas de pelouros. A galeria tem pouco mais de 60 metros quadrados, com corredor de acesso e rampa.

O desafio central estava no próprio tema. A urna eletrônica foi projetada para que cada pessoa vote sozinha, em segredo, sem depender de ninguém, o Braille nas teclas existe desde o primeiro modelo. Contar essa história de forma inacessível seria contradizer o objeto exposto.

O processo

Quatro reuniões com a equipe do TRE-SE e duas visitas técnicas à galeria, com medição e conferência peça a peça. A partir dos textos curatoriais, da planta baixa e do projeto de expositores, construí um roteiro consolidado de 28 páginas.

Cada peça foi descrita em padrão fixo: localização, dimensões, materiais, formato, tela, teclado, cores, componentes, diferenças em relação ao modelo anterior e contexto histórico. Elementos que se repetem em várias peças foram descritos uma vez, em faixa de conjunto, para não cansar quem percorre a sala inteira.

Depois vieram 50 faixas de narração, 1h38 de áudio, todas revisadas com Lucas Aribé.

Decisões de método

  • Localização primeiro. Como o acesso é por QR Code, ninguém percorre a exposição em ordem. Cada faixa abre pela posição da peça no espaço, para que a pessoa se situe antes de ouvir a descrição.
  • Três caminhos, um só QR. Na página de cada peça, o visitante escolhe entre ler a audiodescrição em texto, ouvir a narração ou assistir ao vídeo com intérprete de Libras. Nenhum dos três é resumo do outro.
  • Descrição sem interpretação. Presente do indicativo, sem gerúndio, sem nome de estilo no lugar da descrição e sem termo técnico quando existe equivalente comum.
  • Consultoria de quem vive as duas coisas. A revisão foi feita por um especialista em audiodescrição que é também pessoa com deficiência visual — técnica e experiência na mesma leitura.

Entregas

  • Roteiro consolidado de audiodescrição, 28 páginas
  • 50 faixas de narração gravadas, 1h38 de áudio
  • Estrutura de faixas por peça: descrição, leitura de legenda e leitura de documento quando havia texto longo
  • Mapeamento de QR Codes por peça e mobiliário
  • Relatório de pendências de acessibilidade física e de montagem, conferido no local

Resultado

Toda a exposição passou a ter acesso autônomo para pessoas cegas, com baixa visão e surdas, sem depender de mediação presencial e sem percurso obrigatório.

E há um efeito que sempre aparece nesse tipo de trabalho: descrever um objeto com precisão obriga a olhar para ele com uma atenção que ninguém teve antes. A exposição inteira ficou mais bem contada para todo mundo.

Acesse a exposição virtual

https://memorialdesergipe.com.br/boas-vindas-corredor-de-acesso/ 

ENTRADA DA EXPOSIÇÃO

SALA: PEÇAS DO ACERVO

SALA: EXPOSITORES DO FUNDO E PAREDE

SALA: PAINÉIS DA LINHA DO TEMPO

PEÇAS AVULSAS + ENCERRAMENTO

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Fotografia em plano médio de três pessoas em pé, lado a lado, em um espaço de exposição. Lucas, eu e Ana de Fátima, todos sorridentes para a câmera. O fundo mostra a exposição.
Fotografia em plano médio de três pessoas em pé, lado a lado, em um espaço de exposição. Lucas, eu e Ana de Fátima, todos sorridentes para a câmera. O fundo mostra a exposição.

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